quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Juntar a forma com a vontade de comer!

Achamos que todos concordam que uma coisa que já faz as pessoas sentirem vontade de comer sem ter nada de diferencial, como chocolate, porém essa vontade pode ser potencializada com o trabalho do design.
Até alguns anos atrás, trabalhar elementos formais e de uso, seja no alimento ou na embalagem, era mais comum em produtos direcionados para crianças para incentivá-las a consumir, mas alguns desses produtos atingiram também jovens e adultos, como os clássicos cigarrinhos, guarda-chuvas e moedas de chocolate.
A indústria alimentícia utiliza hoje dessa estratégia já focada nos jovens adultos. Utilizando referencias de coisas de interesse dessa faixa etária, como toy art e produtos tecnológicos, são lançados no mercado diversos produtos bem interessantes. Um deles é o Chocolate Ammo, que é uma caixa de munição calibre .50 feitas de chocolate.

Chocolate Ammo.

Algumas propostas aliam ao diferencial a forma de consumo, exemplos disso são o chocolate em que as barras são dividas por calorias, assim as pessoas que computam todas as calorias consumidas no dia poderão fazer isso sem o uso de calculadoras e balanças, e os lápis de chocolates, que você pode apontar e colocar as raspas em outros pratos, sendo cada tom de lápis uma proporção de cacau e leite diferente.


Barra de chocolate divida por calorias.


Lápis de chocolate.

A indústria de chocolates é apenas um exemplo desse tipo de ação mercadológica que pode ser também identificada em outros segmentos alimentícios, mas a questão é: já que isso é uma estratégia de mercado, que se mostrou eficaz, será que esse tipo de produto dominará as prateleiras?

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Abertura - Food Design ou Design for food?

Para abertura do blog faremos uma breve conceituação sobre Food Design, mas colocaremos algumas questões diferentes do que pode ser encontrado por aí porque tratamos o Design como uma ferramenta que além de utilizada em várias áreas pode se aplicar as questões que envolvem o mundo dos alimentos.
Essa iniciativa começa de uma viagem na qual nos foi proporcionada pelo Governo de Estado de Minas Gerais, onde passamos 40 dias em workshops no Politécnico de Turim – Itália. Tivemos o primeiro contato com o Food Design e assim podendo discutir o assunto com professores e profissionais italianos, além de confrontar as realidades de duas culturas.
E para espanto eles tratam os dois extremos muito bem, tendo uma criação efêmera muito perto da concepção artística e fazendo-a muito conscientemente. Por outro lado uma proximidade com grandes empresas e que trabalham voltados para o mercado, na confecção de embalagens, utensílios para o consumo de alimentos, concepção de novas possibilidades, entre outros. E por espanto nosso na edição de 26 de julho do Jornal Pampulha de Belo Horizonte, traz em sua capa e em uma reportagem de 3 paginas onde é exposto o Food design de uma forma coerente, mostrando algumas possibilidades, mas dando ênfase a parte efêmera.
E uma das criticas que levantamos é principalmente com a percepção e a distorção existente no entorno da palavra design.
O primeiro registro oficial de food design encontrado data de 1997 com uma disciplina ministrada em Barcelona por Martí Guixé. O foco da disciplina era ampliar o desenvolvimento de alimentos colocando-os em um patamar similar a outros produtos, desenvolvendo projetos alimentícios visando ressaltar aspectos como ergonomia, funcionalidade, comunicação e interação com o usuário de uma forma mais contemporânea e de uma forma com uma diferenciação mais “radical”, como é colocado pelo próprio autor.
Posteriormente, o food design foi adotado por diversas empresas como uma forma de conseguir diferenciação em um mercado competitivo e acabou por ampliar as áreas de atuação do desenvolvimento de produtos voltados para alimentos.
Hoje, o food design compreende não só os alimentos especificamente, mas também formas de servir, preparar, conservar, embalar e vender, incluindo não só a estratégia, mas também outros produtos que estão inseridos nesses contextos, sempre visando uma interação diferenciada com os usuários.
O food design tem grande evidência em Turim, cidade do norte da Itália, com um festival que é realizado na cidade onde designers de vários locais podem expor sua veia criativa e desenvolver peças utilizando o alimento como matéria prima.
A grande diferença está em trazer isto para o Brasil como uma verdade ou como uma realidade constante do design, o design na Europa é reconhecido pela população como algo importante e essencial na concepção de novos produtos o que inclui os alimentos e seus utensílios. O que não ocorre no Brasil e o que ajuda a deturpar a imagem que já é distorcida da profissão no país, parecendo assim que design é arte, que é uma forma efêmera e puramente estética, erro dos que pensam assim e fazem disso uma realidade de uma profissão que já sofre com os designers de sobrancelhas, os cook designers, os nail designers, entre outros.
Por fim a idéia é justamente quebrar essa imagem, mostrar que o design tem um papel importante na sociedade e na vida de todos, e que ele pode estar nas mínimas coisas do cotidiano e pode por muitas vezes passar despercebido.
Por esse motivo, muitas vezes o food design será tratado nesse blog como design para a indústria alimentícia, focando em resultados mais pragmáticos para a realidade do Brasil, mas sempre buscando a inovação como uma estratégia de mercado, sem partir para o efêmero ou para uma concepção artística.